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A comunhão se constrói ouvindo: reflexão sobre sinodalidade inspira encontro de secretários da Igreja no Brasil

Durante uma reunião de bispos secretários e secretários executivos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o padre Tiago Síbula falou sobre a importância da escuta, do diálogo e da conversão das relações para fortalecer uma Igreja verdadeiramente sinodal.
16 de julho de 2026 por
A comunhão se constrói ouvindo: reflexão sobre sinodalidade inspira encontro de secretários da Igreja no Brasil
Micaela Alejandra Díaz Miranda

Em razão do Encontro de Bispos Secretários e Secretários Executivos dos regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizado em Brasília, o padre Tiago Síbula, assessor da Comissão Episcopal para a Comunicação, ofereceu uma reflexão sobre a sinodalidade, a comunhão eclesial e os desafios que surgem nas relações humanas dentro da missão pastoral e administrativa da Igreja.

Durante sua intervenção, o sacerdote lembrou que uma Igreja sinodal se caracteriza, antes de tudo, pela capacidade de ouvir. Nesse sentido, apontou que bispos, sacerdotes, religiosos e leigos estão chamados a aprender mutuamente e a discernir juntos aquilo que o Espírito Santo inspira para a vida eclesial.

Para explicar a dinâmica da comunhão, utilizou a imagem de uma orquestra, donde cada instrumento aporta sua riqueza sem se impor sobre os demais. De maneira similar, afirmou que a vida da Igreja requer espaços onde todas as vozes possam se expressar e, ao mesmo tempo, permaneçam abertas à escuta dos outros. “Sem liberdade para falar, o diálogo se torna em uma simples formalidade. Sem humildade para ouvir, a liberdade termina transformando-se em divisão”, advertiu.

Os riscos que enfraquecem a comunhão

Em sua reflexão, o padre Síbula identificou três atitudes que podem erosionar o trabalho conjunto dentro da Igreja. A primeira consiste em substituir o encontro pessoal por interpretações ou julgamentos construídos à distância sobre pessoas, organismos ou regiões eclesiais.

A segunda tentação é reduzir as pessoas ao cargo ou função que desempenham, olvidando que por trás de cada responsabilidade existe uma história de vida, desafios e experiências que merecem ser reconhecidos.

A terceira aparece quando se instala uma lógica de divisão entre grupos, expressa em categorias como “nós e eles”, “a sede e os regionais” ou “os assessores e os bispos”. Segundo o sacerdote, essas dinâmicas geram barreiras que terminam enfraquecendo a comunhão e afetam a missão evangelizadora.

Três caminhos de conversão

Como resposta a esses desafios, o assessor da CNBB propôs avançar em uma tríplice conversão: das relações, dos processos e dos vínculos.

A conversão das relações implica reconhecer que todos os batizados compartilham a mesma dignidade e participam de uma mesma missão, além das distintas responsabilidades que desempenham.

Quanto a os processos, convidou a colocar novamente as pessoas no centro da organização eclesial, evitando que a burocracia reduza os colaboradores a simples executores de tarefas. Nesse sentido, defendeu que reuniões e espaços de trabalho sejam também lugares de escuta, discernimento e corresponsabilidade.

Em relação a os vínculos, sublinhou a necessidade de superar divisões e revisar aquelas estruturas que geram distâncias em vez de favorecer a proximidade. “Quando a comunhão deixa de ser apenas um ideal e se torna uma forma concreta de trabalhar, desaparecem os muros e cresce o testemunho do Evangelho”, disse.

A autoridade entendida como serviço

O sacerdote também relacionou a espiritualidade cristã com os princípios da Comunicação Não Violenta, ressaltando que se deve observar os fatos antes de emitir juízos, reconhecer sentimentos e necessidades, e formular pedidos em vez de acusações.

Sob essa perspectiva, sustentou que a governança eclesial pode se transformar quando se prioriza a pessoa antes do cargo, o diálogo antes das decisões unilaterais e o serviço antes da imposição. “Administrar significa cuidar. Coordinar significa promover comunhão”, resumiu.

Convidou os participantes a compreender suas responsabilidades como uma colaboração com a ação do Espírito Santo, a quem descreveu como o “grande artesão” que continua moldando a vida da Igreja. Assim, lembrou que a comunhão, a participação e a missão devem se expressar não apenas em estruturas eficientes, mas também em relações renovadas e em uma autoridade exercida como serviço.

Conversa no Espírito e busca de consensos

Após a exposição, os participantes continuaram a jornada por meio de uma experiência de Conversa no Espírito, organizada em mesas sinodais.

Através de momentos de reflexão pessoal, escuta, intercâmbio comunitário e discernimento conjunto, os participantes identificaram prioridades, chamados à conversão e ações práticas para fortalecer a corresponsabilidade na missão evangelizadora.

O processo concluiu com a elaboração de uma síntese comum sobre os desafios e compromissos que o grupo considera inspirados pelo Espírito Santo, manifestando o propósito de se tornar cada vez mais autênticos “artesãos da comunhão” a serviço da Igreja no Brasil.

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