Hosffman Ospino é um destacado teólogo leigo colombiano, professor titular de teologia pastoral e educação religiosa na universidade jesuíta Boston College, e é membro ativo da Sociedade de Catequetas Latino-Americanos (SCALA).
Além disso, lidera o curso em Formação na fé e iniciação cristã à luz de uma pedagogia sinodal, organizado pelo Centro teológico Cebitepal do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam).
Sua linha de pesquisa está focada na relação entre fé e cultura, desenvolvida principalmente nos Estados Unidos e na América Latina.
Escreveu e editou 21 livros e mais de 250 artigos, acadêmicos e gerais. Foi presidente da Academia de Teólogos Católicos Hispânicos dos Estados Unidos (ACHTUS, em inglês) e atualmente serve no conselho da Sociedade Teológica Católica da América (CTSA, em inglês).
Tem colaborado em vários projetos internacionais e está ativamente envolvido na atividade pastoral da Arquidiocese de Boston. Nesta oportunidade, conversou com ADN Celam sobre o atual processo sinodal e o Pontificado do Papa Leão XIV.
Herança do Concílio Vaticano II
Pergunta.- O senhor tem servido particularmente à Igreja nos Estados Unidos, como tem visto a recepção do sínodo, especialmente pensando em setores que ainda resistem?
Resposta.- Nos Estados Unidos há cerca de 70 milhões de católicos, dos quais 32 milhões se identificam ou nos identificamos como latinos ou de origem latino-americana e caribenha.
Assim, em grande parte, podemos dizer que a comunidade latina, hispânica, nos Estados Unidos traz o DNA da sinodalidade da maneira como tem sido vivida na América Latina.
Muito antes de se falar de sinodalidade, já se fez sinodalidade, graças à recepção do Concílio Vaticano II na América Latina e milhões de católicos nos Estados Unidos de origem latina têm vivido essa sinodalidade.
No entanto, também podemos dizer que houve certas resistências, tanto no mundo latino quanto no mundo anglo e em outras comunidades culturais, raciais, étnicas.
E essa resistência, em grande parte, tem a ver mais com a falta de entendimento do que significa ser uma Igreja sinodal, mas uma vez que as pessoas começam a estudar e aprender e abrem seu coração a essa perspectiva, a acolhem de uma maneira muito boa.
Todo processo sinodal deve começar com o mais básico, começamos com Cristo Jesus, começamos com as Sagradas Escrituras, começamos com a Igreja como povo de Deus
Começamos com Cristo
P.- A sinodalidade implica mudança, então, o que podemos e o que não podemos mudar?
R.- Todo processo sinodal deve começar com o mais básico, começamos com Cristo Jesus, começamos com as Sagradas Escrituras, começamos com a Igreja como povo de Deus, começamos com a segurança e a convicção de que a salvação vem por meio de Cristo Jesus.
Daí em diante tudo vem. O resto é uma experiência de discernimento, é uma experiência de ver como a igreja continua evangelizando, criando espaços para que todos nos encontremos com Cristo, participemos e para que as vozes e as experiências de todos os batizados, em quem vive o Espírito Santo, sejam ouvidas.
Sede de participação
P.- E quão pertinentes são essas mudanças, ou como deveria ser feito para gerenciá-las sem que se sinta como imposição de uma elite?
R.- Entrar em uma conversa de transformação ou de mudança simplesmente porque queremos a mudança, não nos leva a lugar nenhum. Toda mudança responde a uma necessidade.
Acredito que o povo de Deus está sedento de participação, o povo de Deus está sedento de querer ser parte de como as estruturas de sua Igreja, como a Igreja avança em processos evangelizadores.
A sinodalidade é precisamente isso, dar protagonismo aos batizados em todos os níveis, desde a avó, o avô, os pais, as crianças em casa, até a experiência que se tem a nível do clero, a nível dos religiosos, os bispos, e todos os que estão em posições de autoridade.
Mestizagem eclesial
P.- O Papa Leão XIV, norte-americano de nascimento, peruano de coração, como vê seu Pontificado?
R.- O pontificado do Papa Leão XIV expressa essa mestiçagem eclesial pastoral que caracteriza muitas partes da igreja no mundo inteiro, especialmente na América do Norte, onde a comunidade é muito diversa.
O Papa traz uma visão global, traz uma visão continental no sentido do continente americano. Isso nos ajuda a pensar que hoje em dia não temos eixos universais e predominantes no catolicismo, mas temos uma multiplicidade de experiências católicas que nos ajudam a entender melhor se prestarmos atenção.
O pontificado do Papa Leão XIV expressa essa mestiçagem eclesial pastoral que caracteriza muitas partes da igreja no mundo inteiro
Fundado em valores cristãos
P.- Frente a tensões geopolíticas onde o Papa demanda a paz acima de tudo, mesmo com tensões com o presidente Donald Trump, como se perfila Leão XIV nesse aspecto?
R.- Temos que entender que estamos em um processo de mudanças macro continentais, macro globais, a nível político, a nível econômico, a nível militar neste século XXI.
E eu vejo que são necessárias figuras e líderes como o Papa Leão XIV que vão além da política, da economia, vão além das ideologias e nos lembram o quão importante é ser seres humanos, o quão importante é ser comunidade e, ao mesmo tempo, os princípios e valores do cristianismo.
P.- O Cebitepal celebrou em maio um encontro internacional de sinodalidade aplicada a seminários e Conferências Episcopais, quais foram suas impressões sobre esta plenária?
R.- Foi um encontro muito importante, que nos ajudou a todos os líderes católicos no continente e no mundo a imaginar de que maneira a sinodalidade pode se tornar vida através das estruturas e eventualmente explorar critérios que nos ajudem a transformações estruturais, ao mesmo tempo a uma melhor maneira de caminhar juntos no trabalho pastoral.
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